(Manifestação na Marcha das Vadias no último domingo).
On The Rocks
terça-feira, 29 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
On The Rocks Recomenda.
The Cigarettes é o terceiro e melhor álbum desta guitar band formada em 1994 por Marcelo Colares, em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro.
Estive no show de lançamento no último sábado no Espaço Cultural Walden, aqui em São Paulo, e pude conhecê-lo pessoalmente, além de rever amigos de Salvador que lá estavam. Foi massa brindar com Jan Balanco, Ricardo Spencer e Persie; conversar com as meninas Silvis e Flávia Marinho. Muito bom.
Não ouço outra coisa nestes dias tranquilos aqui na selva de pedra. Esqueço completamente do que tenho ouvido ultimamente quando vejo a capa desta obra-prima na cabeceira de minha cama.
Love concept alpha não sai da mente. Nunca saí pelas ruas da cidade ouvindo um disco no meu discman -- não gosto. Mas não resisto e costumo ir para o meu trabalho com o som no talo!
O video de Love concept alpha foi dirigido pelo competente e talentoso videomaker Ricardo Spencer -- em seu currículo há trabalhos com Pitty, Cachorro Grande, Criolo, Rita Lee e Cigarettes, entre outros.
Lançado pela Midsummer Madness (mmrecords.com.br), no formato Cd e Lp, este disco veio lavar a alma deste ser que vos escreve.
Melancolia, guitarras ácidas, versos apaixonantes e uma voz que casa perfeitamente bem com o clima dessas canções, vieram trazer mais conforto para os meus dias.
Look at the dog playing encerra meus momentos de devaneio; não resisto, aperto o repeat, e lá vem Connected oversured... Addictions, The bore (nunca ouça uma vez só), Pothead...
Obrigado senhor por esta maravilha vir a luz do dia após quatro anos arquivado, e continue abençoando Marcelo. Por favor.
Até a próxima.
P.S.: Postei o video de Love concept alpha no Facebook.
P.S.: Postei o video de Love concept alpha no Facebook.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
24 Hours by Ian Curtis (15 de julho de 1956 - 18 de maio de 1980).
(Ian Curtis).
É isto então a sobrevivência
Orgulho estilhaçado pelo amor
O que foi em tempos inocência
Não devia ter partido
Uma sombra persegue-me
Marcando na memória
Cada mínimo movimento
Do que antes foi amor
Ai como eu compreendi
Quanto precisava do tempo
E de alguma perspectiva
Tão difícil de encontrar
Julguei por momentos
Ter o caminho descoberto
Entre as linhas do destino
Vi-o escapar-se
Infinitos pontos ígneos
Longe do meu alcance
Solitárias orações por
Tudo aquilo que preciso
Dar uma volta por aí
A ver o que se arranja
Inútil coleção de
Esperança e desejo antigo
Nunca eu imaginei
As distâncias que teria de percorrer
Pelos esconsos cantos de
Um ignorado sentimento
A pessoa por um momento
Ouvi alguém chamar
Olhei além do dia presente
E nada havia lá afinal
E agora que eu percebi
Como tudo era erro
Tenho que encontrar a cura
Mas demora o tratamento
No fundo do coração de
Onde se firmou uma amizade
Tenho de encontrar meu destino
Antes que seja tarde demais.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Poema torto & inacabado para vovó Dai.
(Neum e eu).
(Sem correção, sem nada. Ficou a emoção).
Começando a soletrar as primeiras palavras
e o seu sorriso brando
brinda meu café da manhã
entre porções de manteiga & o pão de milho da padaria da rua Direita de Santo Antônio (que você sabe que eu adoro)
suas papinhas e seu olhar vago me prostra aqui neste momento a garoa caindo nesta tarde fria, solitária e melancólica sentindo a textura de
teu pijama em que fazia você uma coelhinha (não me sai do pensamento)
e quantas mães você me deste?
(do seu ventre, tenho comigo Dinda, tia Anna, tia Fau, tia Lucinha & tia Cati)
neste dia das mães aqui sozinho embaixo do edredon de uma tarde que insiste em não passar
inevitável não me lembrar das tardes em que vivíamos (eu e Neum) protegidos por suas asinhas
agasalhando seus pintinhos carentes de um amor que você sabe afastado em plena juventude
& entre gargalhadas e lágrimas desse amor que se foi mas que está presente e continua em nossas vidas
(afinal, quem me protege nessas madrugadas selvagens na terra da garoa & neste embrião de zumbis que me cercam?)
Ariel sempre comigo (acho que é esse nome dele) minha ingratidão não me permite lembrar ( mesmo se eu tivesse uma boa memória)
memória de homem grande
e não de um menino que insiste em ser homem
(...)
e esta data negra se aproximando, com ela, a sensação desagradável que pesa e esmurra nossos corações
Ah, 18 de maio, não vem.
sábado, 12 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
As Dez Mais do Mês.
1. Alabama Shakes - You ain't alone;
2. Lee Ranaldo - Off the wall;
3. Lou Reed - My house;
4. O Último Número - A bíblia, o bêbado e as mulheres belas (lupicínica n° 5);
5. Rolling Stones - We had it all;
6. Leonard Cohen - Lullaby;
7. Ben Folds & Nick Hornby - Berlinda;
8. Mavis Staples - In Christ there is no east or west;
9. Nau - Corpo vadio;
10. Bob Dylan - Lay down your weary tune.
Alabama Shakes - You ain't alone.
2. Lee Ranaldo - Off the wall;
3. Lou Reed - My house;
4. O Último Número - A bíblia, o bêbado e as mulheres belas (lupicínica n° 5);
5. Rolling Stones - We had it all;
6. Leonard Cohen - Lullaby;
7. Ben Folds & Nick Hornby - Berlinda;
8. Mavis Staples - In Christ there is no east or west;
9. Nau - Corpo vadio;
10. Bob Dylan - Lay down your weary tune.
Alabama Shakes - You ain't alone.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
"Não digo que sou mau, mas digo que tome cuidado. Sou de
uma raça indomável, que se movimenta rápido, o tipo de criatura que deixa um rastro de ânsia quando passa. Já não digo mais mentiras porque perdi a imaginação mas não há nada que seja confiável nas minhas verdades. Abro os olhos e olho para o teto. Isso me dá vontade de pensar. Penso deitado durante muitas horas. Nem sempre foi assim. Como Sid e Nancy, eu também tentei chegar a tempo para o jantar, mas os cartazes de publicidade e os sinais de trânsito foram apodrecendo meu sangue. Mamãe vinha toda noite inspecionar meu sono: primeiro tirava o livro das minhas mãos, depois me agasalhava bem, me benzia duas vezes, apagava a luz e ia embora sem fazer o menor barulho. Como Sid e Nancy, eu também adivinhei formas nas nuvens e nem sempre elas eram agradáveis. Como eles, eu fiquei farto de ver desfilar professores fedorentos e bandas militares enquanto no fundo soltavam ferozes cuspidas e peidos entrecortados. Então pulei a janela e pisei fundo no acelerador, entrei em contato com a grama e com as libélulas, e logo não havia mais grama e sim um tiquetaque prometedor, uma brusca ameaça de música e outros que como eu procuravam encrenca".
Trecho do livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo de Efraim Medina Reyes, que está lançando livro novo.
domingo, 22 de abril de 2012
4 anos de On The Rocks.
Hoje, o On The Rocks está completando quatro anos de existência. Após uma viagem mal sucedida pela Europa, criei este meio de comunicação com o intuito de indicar discos, livros, publicar poemas e crônicas como uma forma de me fazer presente para o mundo.
Nestes quatro anos, fiz boas amizades, descobri valores nas pessoas que até então não conhecia, namorei algumas mulheres e fiz amizades com outras, viajei pelo país vindo fixar residência em São Paulo.
Eu morava em Salvador em 2008 e muita coisa mudou em minha vida, graças a minha coragem de procurar um lugar para que eu possa viver em paz e de bem com a vida.
SP é a minha cara; algumas pessoas disseram quando souberam que estou aqui.
Não fosse pelos estresses que ocorreram na semana, eu poderia bater agora no meu peito e gritar bem alto que estou bem. Mas não posso, infelizmente, não posso.
Escolhi alguns discos para hoje. São eles:
Echo and The Bunnymen - Ocean rain;
The Cult - Love;
Leonard Cohen - Old ideas;
Arnaldo Baptista - Lóki?
O Último Número - Museu do mundo;
Legião Urbana - V;
Dexter Gordon - Ballads;
John Coltrane - Lush Life;
Lou Reed - Blue Mask;
David Bowie - Aladdin sane;
Mavis Staples - You are not alone;
Nick Cave - No more shall we part.
Messias - Escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me.
Ontem, foi o aniversário de Robert Smith e do Iggy Pop, dois caras que fazem minha cabeça há muitos anos. Em homenagem a eles, indico o The head on the door (clássico do The Cure), e Brick by brick (discaço de Mr. Pop).
Agora, voltarei a ler O vinho da juventude (John Fante), que trouxe de Salvador na semana santa e estou louco para lê-lo mais uma vez. Juízo!
Até a próxima.
domingo, 15 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Saudade da Nau.
O primeiro disco da Nau (1987) é um tesouro esquecido da música produzida no Brasil. Essa geração que vive incensando Tulipinhas e companhia bem limitada não conhece esta obra-prima. Ou, se conhece, parece ignorar.
Quando eu comecei a escrever no On The Rocks, as minhas referências jornalísticas musicais eram a escrita de Celso Pucci e Lester Bangs. Às vezes, gosto de pensar que foi uma boa não ter entrado para a Faculdade de Comunicação. Se isto tivesse acontecido, eu, como sou fã de música, provavelmente estaria escrevendo para algum jornal, revista, ou até mesmo um site especializado e ganhando uma grana com isso; o que seria um martírio. Já pensou, se o editor vira pra mim e diz assim: "Buenas, eu quero que você faça uma matéria foda sobre a Tulipa". Ou, "Eu quero que você assista um show da Karina (acho que é Burh o sobrenome dela) que será destaque na próxima edição". Pô, eu iria tremer (certeza), para procurar argumentos e tentar cair fora de tal missão. Ou então, fingir que estes, entre outros artistas em evidência na atual pálida música pop brasileira, seja relevante sem ser - o que é pior.
Mas, quis o destino que as coisas fossem bem diferentes para mim. Escrevo sempre, claro, e só vou parar quando estiver morto. Escrevo pelo puro prazer de escrever. Escrevo para me fazer presente no mundo. Indico o que acredito que seja relevante para mim e para quem admira meus escritos, e isto é muito bom.
A consistência no som da Nau me arrebata. As guitarras choram; o baixo, pulsante, emana calor e a bateria bate forte como um coração apaixonado.
Eu assistia direto ao video de Corpo vadio em um programa local que passava aos sábados à tarde. Lembro vagamente deste video... um tom sombrio permeava as cenas... Vange Leonel, a cantora, passeando pelos escombros de um casarão. Acho que era assim.
Balada é a minha canção preferida desse único disco lançado pela banda. Há rumores que existe um segundo, gravado logo depois deste, mas que nunca viu a luz do dia devido a problemas técnicos.
Eu ando desmotivado para indicar discos aqui. Você, que me ler desde os primeiros passos do On The Rocks, deve ter percebido.
Caro leitor, pouca coisa tem mexido comigo, principalmente no que diz respeito à música produzida no Brasil. Fiquei sabendo, na semana passada, que o Arnaldo Baptista está em estúdio gravando Esphera, seu próximo disco sob produção de Fernando Catatau. Outras notícias que me animaram bastante foi a que o Renato Godá está finalizando o sucessor de Canções para embalar marujos; Luís Capucho, finalmente, irá lançar o Cinema Íris - disco gravado em 2010, mas que só sairá agora; o novo da Saco de Ratos está pronto e a Fábrica de Animais lançará ainda neste semestre seu primeiro registro fonográfico.
Para finalizar, tem uma banda nova, chamada Single Parents, que é bem legal - escrevo sobre eles depois.
No mais, sigo o meu caminho de mãos dadas com Mona ouvindo Arthur H., Bob Dylan, Leonard Cohen, Tom Waits, Rolling Stones, Serge Gainsbourg, Arnaldo Baptista, Angela Ro Ro e Lou Reed, entre outros.
Quando eu comecei a escrever no On The Rocks, as minhas referências jornalísticas musicais eram a escrita de Celso Pucci e Lester Bangs. Às vezes, gosto de pensar que foi uma boa não ter entrado para a Faculdade de Comunicação. Se isto tivesse acontecido, eu, como sou fã de música, provavelmente estaria escrevendo para algum jornal, revista, ou até mesmo um site especializado e ganhando uma grana com isso; o que seria um martírio. Já pensou, se o editor vira pra mim e diz assim: "Buenas, eu quero que você faça uma matéria foda sobre a Tulipa". Ou, "Eu quero que você assista um show da Karina (acho que é Burh o sobrenome dela) que será destaque na próxima edição". Pô, eu iria tremer (certeza), para procurar argumentos e tentar cair fora de tal missão. Ou então, fingir que estes, entre outros artistas em evidência na atual pálida música pop brasileira, seja relevante sem ser - o que é pior.
Mas, quis o destino que as coisas fossem bem diferentes para mim. Escrevo sempre, claro, e só vou parar quando estiver morto. Escrevo pelo puro prazer de escrever. Escrevo para me fazer presente no mundo. Indico o que acredito que seja relevante para mim e para quem admira meus escritos, e isto é muito bom.
A consistência no som da Nau me arrebata. As guitarras choram; o baixo, pulsante, emana calor e a bateria bate forte como um coração apaixonado.
Eu assistia direto ao video de Corpo vadio em um programa local que passava aos sábados à tarde. Lembro vagamente deste video... um tom sombrio permeava as cenas... Vange Leonel, a cantora, passeando pelos escombros de um casarão. Acho que era assim.
Balada é a minha canção preferida desse único disco lançado pela banda. Há rumores que existe um segundo, gravado logo depois deste, mas que nunca viu a luz do dia devido a problemas técnicos.
Eu ando desmotivado para indicar discos aqui. Você, que me ler desde os primeiros passos do On The Rocks, deve ter percebido.
Caro leitor, pouca coisa tem mexido comigo, principalmente no que diz respeito à música produzida no Brasil. Fiquei sabendo, na semana passada, que o Arnaldo Baptista está em estúdio gravando Esphera, seu próximo disco sob produção de Fernando Catatau. Outras notícias que me animaram bastante foi a que o Renato Godá está finalizando o sucessor de Canções para embalar marujos; Luís Capucho, finalmente, irá lançar o Cinema Íris - disco gravado em 2010, mas que só sairá agora; o novo da Saco de Ratos está pronto e a Fábrica de Animais lançará ainda neste semestre seu primeiro registro fonográfico.
Para finalizar, tem uma banda nova, chamada Single Parents, que é bem legal - escrevo sobre eles depois.
No mais, sigo o meu caminho de mãos dadas com Mona ouvindo Arthur H., Bob Dylan, Leonard Cohen, Tom Waits, Rolling Stones, Serge Gainsbourg, Arnaldo Baptista, Angela Ro Ro e Lou Reed, entre outros.
Visite a La Verga, meu blog de poemas e crônicas eróticas. Acesse: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/.
Até a próxima.
domingo, 18 de março de 2012
De Efeito.
Cláudia Leite é babaca e Luiz Caldas não é rocker -- nunca foi.
Ariano Suassuna é chato e sua obra não me diz nada (eu prefiro Ok do que Oxente).
Os africanos são os responsáveis pela existência do blues, do jazz e do rock -- o samba é baiano.
Existe amor em SP.
José Serra é um equívoco na política brasileira, Lula é um revolucionário, Collor de Melo é canalha e o povo é besta.
Não fosse John, Paul, George e Ringo, não existiria o Clube da Esquina.
Shakespeare é gênio. Morrissey, não.
Saco de Ratos é foda. Fábrica de Animais, também.
Não sou DJ, nunca fui. Tiro onda de. É diferente.
Orkut é coisa do passado.
O Esporte Clube Bahia é um time pequeno disfarçado de grande.
Patti Smith chocou nos anos 70 muito mais do que Madonna nos 80.
Odeio bandidos fardados.
Green Day é bandinha e Lobão é só blá blá blá.
Não gosto de gente que ostenta o poder e vive em prol de inúteis padrões.
Minha viagem para Londres, em que fui deportado, foi a melhor da minha vida. Acredite.
Sou blogueiro e meu livro não vai mais sair nos meus quarenta anos de idade.
Minha namorada pensa que eu tenho juízo.
Paulo Coelho é uma heresia na Academia Brasileira de Letras.
Comparado a Edir Macedo, Ronald Biggs é amador.
João Gilberto queria cantar igualzinho a Chet Baker.
O mi mi mi sobre o atentado em Pinheirinho vai passar logo logo e quem perdeu suas casas foi quem se fodeu.
Sarney é pior do que ACM.
Esse papo de ser importante atrapalha os relacionamentos.
Neil Young não é Deus, mas quem é Deus?
Acordes e letras sempre fizeram minha cabeça.
Uma vez, disseram para me irritar, que Bukowski não é literatura e Kerouac não sabia escrever. Conseguiram.
Existem coisas mais importantes na vida do que se preocupar com cores (raças) e a sexualidade das pessoas (deixa a menina colar velcro e o menino dar a bundinha em paz, pô!).
É deprimente assistir uma entrevista com Gal Costa. Com Mano Brown, nem se fala.
Nunca vi o Ilê Ayê passar, mas vejo muita hipocrisia em torno deles.
Durmo tarde, acordo tarde, e adoro beber minha cerva de madrugada -- ah, mas isso é problema meu.
Prince queria ser Michael Jackson.
Erasmo fez a cama pra Roberto rolar.
Jet'aime moi non plus é a mais bela canção de amor de todos os tempos.
Maradona jogou muito mais do que Pelé.
Não estou criando expectativas em torno de On The Road do Walter Salles -- Terra Estrangeira é o seu melhor filme.
Professor e bombeiro são dignos do maior respeito - policial e advogado, não.
Bob Dylan, The Beatles e Rolling Stones são os artistas mais influentes da música pop mundial.
Bush foi mais esperto do que Hittler (até hoje a humanidade acredita que foi Bin Laden quem mandou destruir as Torres Gêmeas).
Até a próxima.
P.S.: Tem post novo na La Verga Del Buenas. Acesse: http://www.lavergadelbuenas.blogspot.com/.
quarta-feira, 7 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Entre Satélites.
(Na Mercearia São Pedro, Vila Madalena. Foto by Mônica Miguel).
Este texto foi postado no Facebook em novembro do ano passado, dois meses depois de ter chegado em São Paulo. Gosto muito dele, e por isso mesmo, quero mostrar aos leitores do blog que não são meus amigos lá.
Ontem, antes de sair de casa para o aniversário de Bianca, sobrinha de minha namorada, comi um pouco do macarrão, puro, que eu mesmo preparei, e joguei o resto no balde do lixo da cozinha, pois vacilei no tempero e não tinha nada para acompanhar.
Gilson, um dos caras que divide apartamento comigo, viu a cena e perguntou por quê eu estava fazendo aquilo; expliquei a ele e saí.
O aniversário foi bacana. Minha gata estava lá acompanhada de seus familiares, que são bem legais, por sinal.
No final, retornei caminhando sozinho pra casa. Fazia um friozinho na hora, mas eu não me incomodo com o frio. Pus minhas mãos no bolso e caminhei lentamente...
A noite é sedutora em qualquer lugar do mundo e eu me permito ser seduzido, sempre, por ela. As luzes dos carros e dos semáforos são coadjuvantes, mas sem elas, só haveriam a lua e as estrelas - o que são pouco para mim.
Chegando em casa, encontrei Gilson na porta do prédio se despedindo do porteiro; perguntei pra onde ele ia e ele respondeu: "Vou ao mercado. Vem comigo?". Uma vez dentro do mercado, ele me pediu para que eu escolhesse uma pizza enquanto foi pegar umas cervas. Beleza. Pagou e conversamos um pouco no caminho sobre os crackeiros, zumbis da noite. Mesma noite que me seduz.
Chegando em casa, coloquei a pizza no forno e ele abriu as cervas. Brindamos. Ele parecia que queria me dizer algo, mas estava sem saber como - eu saquei.
Depois da segunda latinha, se aproximou de mim e disse assim: "Tarcísio, esta pizza é sua. Somente sua". Perguntei o motivo; eis a resposta: "Meu coração cortou quando eu te vi comendo macarrão puro. Fiquei com dó de você, por isso comprei esta pizza. É só sua. Ok?". Respirei fundo. Ele percebeu minha emoção e me abraçou. Agradeci emocionado. E, em seguida, ele abriu a terceira latinha e seguiu para o seu quarto. Sentei-me no chão frio da cozinha próximo à máquina de lavar e comi minha pizza pensando na vida e no sentido das coisas, mas não vi sentido algum.
Levantei-me, enxuguei minhas lágrimas, lavei os pratos e fui para o meu quarto teclar com Momon - isto faz sentido para mim.
P.S.: São pessoas como o Gilson que Deus costuma colocar em meu caminho. De vez em quando, aparece uns despachos, mas nada acontece - eles passam batido.
São Paulo, novembro de 2011.
Postarei na próxima quarta-feira, 29, Azedinho como morango, minha nova crônica, na La Verga Del Buenas - para quem não sabe, meu blog de poemas eróticos.
Para encerrar, quero dizer que foi uma honra para o On The Rocks ter recebido um comentário do Caetano Veloso, um dos artistas que mais admiro neste país, no post anterior.
Até a próxima.
Ontem, antes de sair de casa para o aniversário de Bianca, sobrinha de minha namorada, comi um pouco do macarrão, puro, que eu mesmo preparei, e joguei o resto no balde do lixo da cozinha, pois vacilei no tempero e não tinha nada para acompanhar.
Gilson, um dos caras que divide apartamento comigo, viu a cena e perguntou por quê eu estava fazendo aquilo; expliquei a ele e saí.
O aniversário foi bacana. Minha gata estava lá acompanhada de seus familiares, que são bem legais, por sinal.
No final, retornei caminhando sozinho pra casa. Fazia um friozinho na hora, mas eu não me incomodo com o frio. Pus minhas mãos no bolso e caminhei lentamente...
A noite é sedutora em qualquer lugar do mundo e eu me permito ser seduzido, sempre, por ela. As luzes dos carros e dos semáforos são coadjuvantes, mas sem elas, só haveriam a lua e as estrelas - o que são pouco para mim.
Chegando em casa, encontrei Gilson na porta do prédio se despedindo do porteiro; perguntei pra onde ele ia e ele respondeu: "Vou ao mercado. Vem comigo?". Uma vez dentro do mercado, ele me pediu para que eu escolhesse uma pizza enquanto foi pegar umas cervas. Beleza. Pagou e conversamos um pouco no caminho sobre os crackeiros, zumbis da noite. Mesma noite que me seduz.
Chegando em casa, coloquei a pizza no forno e ele abriu as cervas. Brindamos. Ele parecia que queria me dizer algo, mas estava sem saber como - eu saquei.
Depois da segunda latinha, se aproximou de mim e disse assim: "Tarcísio, esta pizza é sua. Somente sua". Perguntei o motivo; eis a resposta: "Meu coração cortou quando eu te vi comendo macarrão puro. Fiquei com dó de você, por isso comprei esta pizza. É só sua. Ok?". Respirei fundo. Ele percebeu minha emoção e me abraçou. Agradeci emocionado. E, em seguida, ele abriu a terceira latinha e seguiu para o seu quarto. Sentei-me no chão frio da cozinha próximo à máquina de lavar e comi minha pizza pensando na vida e no sentido das coisas, mas não vi sentido algum.
Levantei-me, enxuguei minhas lágrimas, lavei os pratos e fui para o meu quarto teclar com Momon - isto faz sentido para mim.
P.S.: São pessoas como o Gilson que Deus costuma colocar em meu caminho. De vez em quando, aparece uns despachos, mas nada acontece - eles passam batido.
São Paulo, novembro de 2011.
Postarei na próxima quarta-feira, 29, Azedinho como morango, minha nova crônica, na La Verga Del Buenas - para quem não sabe, meu blog de poemas eróticos.
Para encerrar, quero dizer que foi uma honra para o On The Rocks ter recebido um comentário do Caetano Veloso, um dos artistas que mais admiro neste país, no post anterior.
Até a próxima.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Rua Guaianazes, o embrião da Cracolândia.
(Foto by Mônica Miguel).
Eu moro na rua Guaianazes, o embrião da Cracolândia (centro de São Paulo). No começo, eu me assustei um pouco com a quantidade de crackeiros que aqui vivem há muitos anos - segundo os antigos moradores.
Desde o começo do ano, quando o governador Alckmin - uma espécie de Hitler, versão camuflada -, lembrando a perversidade que os moradores de Pinheirinho sofreram recentemente, desabrigou esses seres que mais parecem zumbis, do que seres humanos, da Cracolândia, que fica próximo à estação da Luz, perto daqui de casa, que a quantidade de zumbis têm aumentado.
Todos os dias, principalmente à noite, os policiais passam espantando uma corja com mais de duzentos deles; que não adianta nada, pois logo eles voltam lotando a rua e trazendo transtornos para os moradores com suas algazarras, fumando a pedra e aprontando das suas.
A polícia, acreditando que está cumprindo o seu papel, e a sociedade, fingindo acreditar que eles vão resolver este tipo de problema, transformam um trabalho que deveria ser sério em brincadeira de gato e rato.
Fico na varanda do apartamento observando tudo e analisando as coisas...
Dia desses, eu vi um policial dormindo no banco do carona quando passava espantando a corja - como eu queria ter uma câmera nesse momento!
Também já vi um policial esticando os braços para fora da aviatura para pegar algo com um transeunte.
Eu tenho nojo de políticos e odeio bandidos fardados.
Para aumentar o meu desprezo que tenho por eles, na sexta-feira à noite, quando eu chegava do trabalho, vi dois policiais algemando um rapaz na porta de um bar - eu não sei o que aconteceu. Sei que ao lado do rapaz, tinha uma mulher segurando uma criança que estava transtornado e gritando desesperadamente para os policias "larguem meu pai moço, larguem ele!".
A criança conseguiu se separar da mãe dele e pendurou-se no pescoço de um dos policiais pedindo para que o soltasse. Aquela cena tirou minha noite de sono.
As lágrimas dele cortaram meu coração. "Gente, faz alguma coisa!". Pô, me deu vontade de intervir, mas sabia que se fizesse isto, eu iria preso e tomaria muita porrada. Fui um covarde, eu sei, e fiquei muito mal depois.
Imediatamente, oito carros da polícia invadiram a rua com seu som ridículo, e estridente, para pegarem um "marginal" que estava visivelmente irritado com tudo que estava acontecendo...
(Continua).
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
On The Rocks Recomenda.
A Ilustríssima publicou no último domingo um capítulo do romance A Brincadeira Favorita (1963), primeiro romance de Leonard Cohen, que será lançado no Brasil em 1° de março pela Cosac Naify.
O livro trata das aventuras amorosas e descobertas literárias do jovem Lawrence Breavman, judeu nascido em Montreal. Ou como diria Mikal Gilmore no livro Ponto Final, altamente recomendável, por sinal: "The Favorite Game é um romance semiautobiográfico sobre o amadurecimento de Cohen como jovem escritor, sensualista e angustiado - mais ou menos o equivalente de Retrato do artista quando jovem, de James Joyce".
Minha amiga Gabriela Almeida me enviou este capítulo pelo Facebook. Após anunciar o lançamento do livro lá, resolvi postar aqui para vocês.
Gabi, muito obrigado pela gentileza.
Aqui está o capítulo de A Brincadeira Favorita traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
DOS SETE AOS 11 é um grande pedaço da vida, cheio de tédio e esquecimento. Dizem que lentamente vamos perdendo o dom de falar com os bichos, que os pássaros já não visitam nossa janela para conversar. Conforme os olhos vão se acostumando a ver, blindam-se contra a fantasia. Flores que eram do tamanho de um pinheiro voltam para os vasos de barro. Até o terror diminui. Gigantas e gigantes do quarto de infância encolhem-se em professoras chatas e pais piedosos. Breavman havia esquecido tudo o que aprendera com o pequeno corpo de Lisa.
Oh, como a vida deles havia se esvaziado desde o tempo em que engatinhavam sob a cama até se levantarem nas patas de trás!
Agora ansiavam por conhecimento, mas se despir era um pecado. Tornaram-se assim presa fácil de postais, revistas pornográficas, artigos eróticos caseiros trocados no vestiário da escola. Tornaram-se connoisseurs de escultura e pintura. Conheciam todos os livros da biblioteca que traziam as melhores reproduções, as mais reveladoras.
Como seria a aparência dos corpos?
A mãe de Lisa dera de presente à filha um livro a respeito, onde procuraram em vão informações mais diretas. Havia frases como "o templo do corpo humano", o que podia ser verdade, mas onde estavam os pelos e as reentrâncias? Desejavam imagens claras, não uma página em branco com um ponto no centro e uma legenda desanimadora: "Imagine só! O espermatozoide masculino é mil vezes menor do que isto".
Sendo assim, usavam roupas leves. Ele tinha uma bermuda verde que ela adorava por ser fina. Ela tinha um vestido amarelo que era o favorito dele. Essa situação deu origem à grande exclamação lírica de Lisa:
"Amanhã você põe a sua bermuda verde de seda; eu venho com meu vestido amarelo, assim vai ser melhor."
A privação é a mãe da poesia.
Ele estava prestes a encomendar pelo correio uma publicação anunciada numa revista de cartas eróticas que prometia a entrega em papel pardo, discreto, quando, durante uma das buscas periódicas nas gavetas da empregada, encontrou o minicine de cartucho.
Era feito na França e continha pouco mais de meio metro de filme. Você segurava contra a luz, girava um botão e via tudo.
Louvado seja este filme, que desapareceu com a empregada na vastidão da paisagem canadense.
O título estava em inglês, com cativante simplicidade, "Trinta Maneiras de Foder". As cenas não se pareciam nada com os filmes pornográficos de que Breavman mais tarde teria conhecimento e os quais devoraria, com homens e mulheres acrobáticos encenando enredos forçados e sórdidos.
Os atores eram belos seres humanos, felizes com a carreira no cinema. Não eram refugos esquálidos, culpados, desesperadamente alegres que interpretavam para um público de clube masculino. Nada de sorrisos lascivos para a câmera, nem piscadelas e lamber de beiços, nenhum abuso do órgão feminino com cigarros ou garrafas de cerveja, nenhuma disposição engenhosa e artificial dos corpos.
Cada quadro reluzia de ternura e deleite apaixonado.
Este pequeno trecho de filme, se amplamente exibido nos cinemas canadenses, seria capaz de revitalizar os casamentos tediosos que, dizem, abundam em nosso país.
Onde está você, operária do dispositivo supremo? O National Film Board precisa de você. Envelhecendo em Winnipeg?
O filme terminava com uma demonstração da grandiosa, democrática e universal prática do amor físico. Havia casais indianos, chineses, negros e árabes, todos sem os trajes típicos.
Volta, empregada, em nome do Federalismo Mundial.
Apontavam o minicine para a janela e solenemente o passavam para trás e para frente.
Sabiam que seria daquele jeito.
A janela dava para a colina do Murray Park, do outro lado do centro comercial da cidade, rio St. Lawrence abaixo, com as montanhas americanas lá longe. Quando não era sua vez, Breavman olhava a vista. Por que ninguém estava trabalhando?
Havia duas crianças abraçadas numa janela, cuja sabedoria tirava-lhes o fôlego.
Não podiam se afobar e fazer aquilo ali naquela hora. Não estavam livres de intrusos. E não era só isso, crianças possuem um sentido altamente desenvolvido de ritual e formalidade. Era importante. Precisavam decidir se estavam mesmo apaixonados. Porque uma coisa as imagens mostravam: era preciso estar amando. Achavam que estavam, mas se dariam uma semana para ter certeza.
Abraçaram-se de novo, no que pensaram ser um dos últimos abraços totalmente vestidos.
Como Breavman poderia se lamentar? Foi a própria natureza que interveio.
Três dias antes da quinta, dia de folga da empregada, encontraram-se no lugar marcado, o banco ao lado do lago no parque. Lisa estava tímida, mas resolvida a ser direta e franca, como era de seu temperamento.
"Não posso fazer isso com você."
"Seus pais não vão se mudar?"
"Não é isso. Ontem à noite veio A Regra."
Ela tocou a mão dele com orgulho.
"Oh."
"Sabe o que é?"
"Claro."
Ele não fazia a mais remota ideia.
"Mas mesmo assim seria tudo bem, não?"
"Só que agora eu posso ter neném. A minha mãe me contou ontem à noite. Ela já estava com tudo pronto para mim, toalhas, uma cinta só minha, tudo."
"Sério?"
Do que ela estava falando? Aquela regra parecia uma intervenção celeste contra o prazer dele.
"Ela me explicou a coisa toda, como no minicine."
"Você contou sobre o nosso minicine?"
Não se podia confiar em nada, no mundo inteiro, em ninguém.
"Ela jurou que não ia contar para outra pessoa."
"Era segredo."
"Não fique triste. A gente conversou bastante. Contei sobre nós também. Sabe, vou precisar me comportar como uma dama agora. As meninas precisam se comportar como mais velhas que os meninos."
"Quem está triste?"
Ela se reclinou no banco e segurou a mão dele.
"Mas você não está feliz por mim?", ela riu. "Por ter chegado A Regra? Estou feliz agora!"
***
Cohen havia lançado dois livros de poemas antes, e viria a lançar outros romances depois, antes mesmo dele se aventurar pela música, lançando seu primeiro álbum Songs of Leonard Cohen em 1968.
Espero que as editoras briasileiras acordem e lancem esses livros no Brasil, pois, como diria a crítica literária estrangeira, a rica obra literária de Cohen se equipara com as de Norman Mailer, Thomas Pychon, Allen Gisnberg e Henry Miller.
Até a próxima.
(Leonard Cohen).
sábado, 21 de janeiro de 2012
As Dez Mais da Semana.
(Arthur H., o Tom Waits francês).
1. Arthur H. - Lily Dale;2.Johnny Cash & Joe Strummer - Redemption song;
3. Nick Cave & Anita Lane - I love you nor do i;
4. Bidê ou Balde - Mesmo que mude;
5. The Replacements - Unsatisfied;
6. Arthur H. - Luna Park;
7. Etta James - It hurts me so much;
8. The White Stripes - One more cup of coffee;
9. Cowboy Junkies - Sweet Jane;
10. Blur with Françoise Hardy - To the end (La comedie).
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)















